É evidente que a pandemia de Covid-19 teve um forte impacto em todos os habitantes do planeta, dado o nível inimaginável de interconexão que alcançamos como espécie, independentemente das medidas adotadas pelos governos para prevenir contágios hoje. Hoje, menos de 10 países, principalmente ilhas, não registram nenhum caso de coronavírus.
Essa realidade permitiu o posicionamento de uma mensagem astuta em termos de saúde pública que, com algumas diferenças, foi divulgada pelas autoridades competentes e pela maioria das vozes interessadas, com praticamente o mesmo significado: "o coronavírus afeta a todos". Embora esse mantra não seja apenas útil, mas também necessário para promover e fortalecer as medidas de segurança e os sacrifícios que isso significa para a população, vale a pena avaliar como esses efeitos alteram o cotidiano de diversos segmentos da população.
Essa visão diferencial nos permite afirmar um fato que não poderia ser mais evidente: a pandemia não afeta a todos por igual. Mas é mais interessante e menos evidente indagar sobre o motivo dos referidos efeitos diferenciados. Como se sabe, construímos uma sociedade eficientemente interconectada, graças a uma troca constante de bens e serviços, motivada por um consumo agressivo e uma multiplicação de lucros, o que significa que 82% da riqueza está concentrada em nas mãos de 1% da população (ONG OXFAM, 2018).