Quando eu conheci Eduardo*, duas semanas antes das eleições presidenciais colombianas, toda a nossa conversa girou em torno do seu temor ao pleito, e como a escolha do novo presidente afetaria suas intenções de permanecer ou deixar o país.
Após ter entrevistado inúmeras pessoas migrantes venezuelanas, residentes em Bogotá e em Cúcuta, como parte da minha pesquisa de doutorado, Eduardo não foi a primeira a me falar da sua insatisfação com Gustavo Petro, o primeiro candidato progressista a chegar à presidência da Colômbia. Naquele momento, simplesmente vinculei sua apreensão à aversão de longa data que tantas pessoas vindas da Venezuela têm aqualquer político associado à esquerda, especialmente quando se trata de um país vizinho com tamanha historia compartilhada, como a Colômbia.
Mas a nossa segunda conversa trouxe mais nuances à análise simplista que eu havia feito até então: o principal medo de Eduardo estava ligado não exatamente a quem seria o presidente eleito, mas à precariedade do seu status migratório no país de acolhida. Em outras palavras, ele sentia que sua segurança e a de sua família estavam sujeitas aos arbítrios do líder em exercício, e para alguém que havia justamente fugido da perseguição política, essa possibilidade era aterradora. Neste artigo, discuto os fatores que estão por trás dos temores de Eduardo e de tantas outras pessoas migrantes, e porque acredito que eles estão ligados à precarização do refúgio na América Latina e ao redor do mundo.