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'Canto dos maus-tratos': Exército brasileiro confina indígenas venezuelanos em Roraima

Funcionários do alojamento criado pelo Exército em Boa Vista denunciam ‘tortura e violações dos direitos humanos’

Indígena deitado em rede
Lideranças indígenas não são ouvidas pelo Exército nas decisões sobre os abrigos, segundo denúncia de um cacique Warao ouvido pela reportagem
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Um vídeo inédito obtido pela Repórter Brasil mostra uma área cercada, de aproximadamente 2 metros quadrados, com uma cadeira de plástico e uma pessoa deitada no chão de terra batida e pedregulhos. O áudio diz: “imagens ao vivo do ‘cantinho da vergonha’. Não sei se dá para ver, mas colocaram um arame no negócio [grades] para ele não escapar”.  

O “cantinho da vergonha” é o nome que vem sendo dado a um espaço de confinamento involuntário onde são detidos, sem mandado judicial, indígenas venezuelanos em condição de alcoolismo nos quatro abrigos para indígenas de Boa Vista (RR) destinados ao acolhimento de refugiados e migrantes. As imagens foram gravadas no abrigo Pintolândia, que faz parte da Operação Acolhida, criada em 2018 no governo de Michel Temer, sob responsabilidade do Exército brasileiro em parceria com organizações não-governamentais. 

Entre os indígenas, o nome do espaço é “canto de maus-tratos”, afirmou à Repórter Brasil, sob condição de anonimato, um dos caciques Warao venezuelanos abrigados em Boa Vista. “Eles [os militares] nos tratam como delinquentes, usam armamentos dentro dos abrigos. Não têm compaixão pelo que estamos passando. Eles deixam a pessoa lá, suja, no chão. E ainda gravam. Dói muito.”