O Brasil é país campeão das desigualdades. Unir o andar de cima e o andar de baixo jamais foi prioridade ou sequer preocupação verdadeira. Nem mesmo a ameaça de vermos ceifadas dezenas de milhares de vidas pela escassez na oferta de leitos e insumos essenciais ao enfrentamento da Covid-19 favoreceu a opção pela eficiência e pela razão, argumento que sempre justifica tantas reformas. Inclusive as mais insensatas, como o teto do gasto.
O escárnio com o interesse público, estampado nas denúncias de corrupção com a construção de hospitais de campanha e compra de respiradores, é a prova irrefutável de que no Brasil é mais fácil tolerar a prática endêmica de desvio do dinheiro público do que promover mecanismos de equalização de direitos e oportunidades. Mesmo que seja para evitar inúmeras mortes desnecessárias.
Vale assinalar que no dia 21 de junho, o Brasil registra oficialmente mais de 1 milhão de infectados pela Covid-19 e supera as 50 mil mortes. Como aumentou exponencialmente nesse período o número de mortes por SARG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), “inespecífica”– por falta de testes não é possível identificar a causa mortis –, vários consórcios médicos e centros de pesquisa estimam que o número de óbitos possa ser superior em 21 mil, alcançando, portanto, 71 mil nessa data, estimativa para muitos ainda aquém da realidade. Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o país com os piores indicadores no enfrentamento da Covid-19.