
A chanceler Angela Merkel recebe o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, em Berlim, em 2016. Bernd von Jutrczenka / Press Association. Todos os direitos reservados.
Este artigo parte de uma análise crítica sobre os erros que a social-democracia cometeu nestas últimas décadas até à identificação de uma alternativa política que passa pela convergência de diferentes forças em torno de um programa progressista, à semelhança da situação que resultou da configuração governativa que emergiu recentemente em Portugal. De forma a iniciarmos este percurso vamos, contudo, ter como ponto de partida os resultados eleitorais das últimas eleições legislativas na Holanda. Estes podem ter gerado algum alívio conjuntural face à eventual vitória da extrema-direita que não se verificou, mas, se considerarmos um tempo mais longo, levantam preocupações acrescidas que atravessam todos os campos políticos.
Desde logo, parece claro que a não vitória de Geert Wilders se deu à custa de uma radicalização do discurso nacionalista e anti-imigração do partido de direita, liderado pelo atual primeiro-ministro. Isto quer dizer que parte da agenda extremista vai entrando nos partidos tradicionais e naturalizando no discurso e na prática política. Trata-se de uma estratégia que poderá travar a ascensão da extrema-direita, mas que a prazo provocará uma institucionalização e legitimação da sua agenda. O outro dado muito preocupante é a derrocada do partido social-democrata que, de uma eleição para a outra, cai de parceiro de governo para uma situação de quase irrelevância política. Assistiu-se, assim, a um processo similar ocorrido com o partido socialista grego. Ironicamente, ambos foram vítimas da política de austeridade que engendraram: um como idealizador e impositor à escala europeia, o outro como executor no seu país e contra o seu povo. E de novo, em França, as eleições presidenciais cedo deixaram perceber que o candidato oficial do partido socialista francês estaria fora da corrida.