A Covid-19 é uma crise no sentido médico original da palavra, pois "crise" significa um momento decisivo em uma doença: ou a situação piora e o paciente morre – simbolizando uma maior deterioração da sociedade que caminha ao neoliberalismo autoritário – ou melhoram e o "paciente" vive, simbolizando uma sociedade que se mobiliza em torno de uma solidariedade social renovada.
Alguns países, como os EUA, parecem estar caminhando em direção ao primeiro cenário, manifestado em sua necessidade de transformar a China em bode expiatório, nos ataques contra migrantes e refugiados, na difusão de termos como "estado de emergência", na linguagem que enfatiza uma 'guerra' contra um 'inimigo invisível', e em multidões iradas, algumas armadas, exigindo que a economia seja reaberta.
Outros como a Nova Zelândia e a Alemanha estão caminhando em uma direção mais esperançosa através da mobilização em massa de poder e recursos para o bem comum. Muitos empregadores continuam a pagar seus trabalhadores, os bancos estão oferecendo brechas hipotecárias, e contas de serviços públicos, aluguéis e despejos foram, pelo menos parcialmente, suspensos.