Nós estamos vendo as florestas dando lugar a grandes piscinas de lama. Vemos os rios tendo suas nascentes assoreadas e seus cursos desviados. Vemos as sombras e frutos diminuindo, a água cristalina do Rio Tapajós, dos igarapés e nascentes cada vez mais turva. Vemos o pôr do sol encoberto por fumaça.
Essa é a realidade da Terra Indígena do povo Munduruku, à qual eu pertenço, onde nasci e cresci, localizada no alto Rio Tapajós, no município de Jacareacanga/Pará. Nos últimos meses, houve um grande aumento da invasão de nosso território por garimpos ilegais. Mesmo com altos números de casos de Covid-19 confirmados no município (341 casos, segundo o último boletim do município de 23 de julho), a atividade ilegal não parou, contribuindo para o aumento do desmatamento e contaminação na região.
Preocupação
Com a pandemia em curso e sem nenhum plano emergencial para atender às necessidades das aldeias indígenas, perdemos lideranças históricas que, para o povo Munduruku, eram consideradas grandes bibliotecas da cultura viva.