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Cruzei o Atlântico para levar nossa luta Munduruku ao mundo

Os jovens da Terra Indígena Munduruku enfrentam muitas ameaças, mas hoje sabem que sua luta vai muito além.

Val Munduruku com adorno tradicional na cabeça
A jovem indígena Val Munduruku durante a COP25 em Madrid, em 2019 - Val Munduruku, acervo pessoal
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Nós estamos vendo as florestas dando lugar a grandes piscinas de lama. Vemos os rios tendo suas nascentes assoreadas e seus cursos desviados. Vemos as sombras e frutos diminuindo, a água cristalina do Rio Tapajós, dos igarapés e nascentes cada vez mais turva. Vemos o pôr do sol encoberto por fumaça.

Essa é a realidade da Terra Indígena do povo Munduruku, à qual eu pertenço, onde nasci e cresci, localizada no alto Rio Tapajós, no município de Jacareacanga/Pará. Nos últimos meses, houve um grande aumento da invasão de nosso território por garimpos ilegais. Mesmo com altos números de casos de Covid-19 confirmados no município (341 casos, segundo o último boletim do município de 23 de julho), a atividade ilegal não parou, contribuindo para o aumento do desmatamento e contaminação na região.

Preocupação

Com a pandemia em curso e sem nenhum plano emergencial para atender às necessidades das aldeias indígenas, perdemos lideranças históricas que, para o povo Munduruku, eram consideradas grandes bibliotecas da cultura viva.