Na luta contra a Covid-19, a América Latina apresenta um conjunto de desafios importantes: sistemas de saúde mal financiados, mercados de trabalho amplamente informais, extrema pobreza e vulnerabilidade e uma crise de deslocamento humano que forçou quase 5 milhões de venezuelanos ao exílio.
O Peru abrigava cerca de 1 milhão de cidadãos venezuelanos quando declarou estado de emergência em 16 de março, fechando fronteiras internacionais e impondo isolamento social obrigatório. Essa medida foi prorrogada quatro vezes e durou até 30 de junho (o confinamento continua em vigor em sete regiões com altas taxas de infecção).
Sem dúvida, o estado de emergência teve um impacto negativo para a população peruana e, especialmente, para os trabalhadores informais (o setor informal representa mais de 70% da economia do Peru). No entanto, o fardo carregado por imigrantes ou refugiados venezuelanos é ainda mais grave devido às condições informais de trabalho, status legal precário e falta de redes de apoio.