Muitas organizações anti-tráfico e organizações de primeiros socorros dentro do sistema Europeu do Mecanismo Nacional de Referência (“European National Referral Mechanism”) tentam evitar tomar uma posição sobre o trabalho sexual. Este não é um fenômeno novo. Quando me envolvi pela primeira vez com os pontos de vista de organizações anti-tráfico sobre trabalho sexual em 2014, encontrei posições claras, mas também recebi uma série de respostas como estas:
"Acho que há dois tipos de posições. Há uma posição oficial e há uma espécie de posição não-oficial amplamente difundida. A posição oficial é, nós somos uma [organização religiosa], portanto nosso pensamento sobre prostituição está alinhado com os ensinamentos [da Igreja]: ... é pecado para ambas as partes, mas deve-se dar especial consideração e simpatia à pessoa que está vendendo o serviço. ... A posição não oficial que a maioria das pessoas na nossa organização tem é ... sobre se "alguém está sofrendo?". (Uma instituição de caridade sediada no Reino Unido)
"Como organização cristã, nossa visão se baseia na fé. Nós acreditamos que o sexo é criado para que os casais expressem um relacionamento amoroso. ... [No entanto] trabalhamos pelo mundo inteiro com mulheres que trabalham na prostituição, na indústria do sexo, e teríamos muito cuidado para não sermos julgadores e cuidado para não tratar as pessoas de uma forma que possa fazer com que as pessoas se sintam inferiores ou julgadas". (Uma instituição de caridade sediada no Reino Unido)
"Temos organizações-membro muito heterogêneas, devido aos seus historiais ou às suas posições políticas, portanto integramos e representamos organizações muito diferentes. Mas, geralmente, nos veríamos situados 'no meio' [no que diz respeito às opiniões sobre trabalho sexual]". (Uma organização guarda-chuva sediada na Alemanha)
Esta última organização entrevistada explicou que, na prática, os membros da organização eram pragmáticos: eles estavam concentrados em ajudar as vítimas do tráfico em vez daquelas que se dedicavam voluntariamente ao trabalho sexual. Portanto, suas opiniões não importavam para o trabalho da organização. Elas acabaram ficando de fora do debate.
Não mudou muito nos anos que se passaram. Continua a haver muitas organizações que parecem inseguras quanto à sua posição, ou tentam estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ou simplesmente fazem o seu melhor para evitar a conversa. Isto tende a ser justificado em termos pragmáticos: ao não escolher lado, evitam tanto o fanatismo puritano que às vezes está associado à oposição ao trabalho sexual, como a controvérsia que certamente viria com a aprovação da descriminalização. Além disso, também vem com a vantagem de isolar as organizações anti-tráfico de possíveis mudanças na política governamental. Se as leis que regem o sexo comercial mudarem, é menos provável que seu relacionamento com o governo seja prejudicado caso não tiverem uma posição clara sobre o assunto.