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O novo municipalismo e a esquerda latino-americana

Alguns exemplos se propõem a construir uma alternativa à política tradicional e desafiar a velha esquerda regional

Representantes da Gabinetona com os braços erguidos
Representantes da Gabinetona. A partir da esquerda: deputada Áurea Carolina, ex-vereadora Cida Falabella, vereadora Bella Gonçalves e deputada regional Andréia de Jesus - Tamás Gontijo Bodolay
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A terceira edição da conferência Cidades sem Medo foi realizada na cidade argentina de Rosário entre 21 e 23 de outubro de 2022. Esta foi a primeira reunião presencial desde o evento inaugural realizado em Barcelona em 2017 que reuniu uma nova geração de políticos, ativistas, ONGs e acadêmicos, entre outros, para discutir os contornos e a direção do nascente “movimento municipalista global”. Desde então, ocorreram encontros regionais e uma segunda conferência online organizada em 2021.

A trajetória desse movimento mudou consideravelmente desde sua “estreia” em 2017, realizada no auge do processo “cidades pela mudança” que levou diversas plataformas cidadãs a serem eleitas para algumas das prefeituras das principais cidades da Espanha. Olhar para essa trajetória desde a América Latina permite analisar como este movimento tem tido um alcance além das fronteiras europeias e até que ponto tem sido capaz de provocar mudanças em políticas locais em um contexto turbulento que marcou a região na última década. Tendo em vista uma nova “onda rosa” de governos de esquerda latino-americanos que se consolidou nos últimos anos, também é importante questionar como este movimento se posiciona em relação a mudanças mais amplas na política nacional.

Uma onda de municipalismo latino-americano?

O novo municipalismo pode ser entendido como a expressão política de um movimento que é articulado fora das instituições formais, liderado por movimentos sociais, coletivos populares e cidadãos em geral, para construir uma alternativa à política tradicional que responda à precariedade urbana, desigualdade social, participação direta e mais autonomia na construção de projetos coletivos para o bem comum.