Skip to content

Pós-conflicto na Colômbia (17). Podem as FARC dedicar-se à política?

As FARC têm que aprender a fazer política sem armas. Depois de mais de 50 anos de guerra, este é o grande desafio ao que se enfrenta a Colômbia. Español English

Published:
PA-28421745_1.jpg
PA-28421745_1.jpg

Guerrilheiros das FARC assistem a uma palestra sobre o processo de paz na selva do Putumayo, Colômbia, 17 agosto 2016. AP Foto/Fernando Vergara. Todos os direitos reservados.

Aconteça o que acontecer no plebiscito do dia 2 de outubro no qual os colombianos decidirão com o seu voto aprovar ou rejeitar o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a insurgência mais duradoura do hemisfério ocidental experimentará, e já está a experimentar, uma transição importante. Não é a primeira vez que as FARC se sentam na mesa de negociações com o governo Colombiano. Houve outras tentativas importantes. Contudo, as conversações de paz que concluíram na Havana no dia 24 de agosto são diferentes às tentativas anteriores. Não só é a primeira vez que ambas partes se sentaram a negociar uma agenda específica e chegaram a um acordo final, senão que ambas partes deram provas de uma transformação profunda. Para as FARC, o seu reconhecimento do Estado Colombiano, o acordo para abandonar as armas e para romper qualquer vinculo com o narcotráfico e juntar-se ao processo democrático não tem precedentes.

Depois de um conflito armado que durou mais de meio século, estima-se que existam uns 7000 combatentes e uns 8000 milicianos das FARC que deixarão para trás as armas e se reintegrarão na vida social, económica e política da Colômbia. Muitos permaneceram isolados da sociedade colombiano, levando uma vida de guerra e sobrevivência na selva. Assim que, agora que se chegou a um acordo, a pregunta é: como levarão a cabo as FARC a transição de um movimento armado a um movimento político e social?