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Quando será feita justiça para os falsos positivos na Colômbia?

Ana e Kelly, do grupo Las Madres de Soacha, nos contaram o processo de sua luta por justiça em um Estado que os vê como inimigos. Español

Quando será feita justiça para os falsos positivos na Colômbia?
Peça gráfica de Ana que presta homenagem às vítimas de execuções extrajudiciais na Colômbia
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4 de março de 2008 foi um dia como outro qualquer para a maioria dos cidadãos de Bogotá, que se levantou para se trocar, tomar café da manhã e ir trabalhar. Os que vivem na capital tiveram pouco contato com a guerra que devastou a zona rural da Colômbia, cujos habitantes sofreram as consequências por todo o país.

A recente reeleição do presidente de direita Álvaro Uribe trouxe uma queda nos sequestros, ou no que foi chamado de "pesca milagrosa" (sequestros indiscriminados em massa) por guerrilheiros e outros grupos armados. Mas, no mesmo dia, o governo de Uribe interrompeu as relações com o Equador, após uma operação militar contra as FARC que o exército colombiano realizou em território equatoriano sem autorização prévia. As notícias dominaram as manchetes e distraíram a atenção diante de uma série de violações de direitos humanos que ocorreram diante dos olhos de Bogotá: as execuções extrajudiciais de dezenas de jovens de Soacha (um município de 500.000 habitantes na área metropolitana de Bogotá) pelo exército colombiano, que o governo apresentou falsamente como mortes de guerrilheiros em combate. Com essa mentira, o governo pretendia fingir que estava vencendo a guerra contra os guerrilheiros, quando na realidade eram assassinatos apresentados como "falsos positivos".

Nesse mesmo 4 de março de 2008, Eduardo Garzón Páez desapareceu. E desde então, a vida nunca mais seria a mesma para sua mãe, Ana Páez Muñoz, lutadora e ativista incansável do grupo MAFAPO, as 'Mães de falsos positivos de Soacha e Bogotá'.