Há uns meses, o presidente argentino Maurício Macri, disse que a “política é sair do escritório e atender as necessidades”. O impopular presidente do Brasil, Michel Temer, definiu a política como “um acto religioso” que conduz a sociedade aos “valores fundamentais”. Enrique Peña Nieto, uma vez contou que a sua paixão pela política nasceu quando, sendo ele muito jovem, leu no jornal que “o Governo do Estado do México daquele então entregava tractores aos camponeses”.
Aqueles que presidem os países latino-americanos com maior PIB e maior população, vêm a política uma “ferramenta” capaz de gerar “esperanças”. O seu discurso conclui que se “a política” fizer bem o seu trabalho, se levar a cabo as “acções correctas”, então pode mudar a vida de milhões. Contudo, rara vez se referem a como as mudanças enormes e estruturais na vida quotidiana das pessoas impacta a legitimidade do sistema democrático que temos. Em tempos como estes de revolução cultural, agitada pela omnipresença das TIC, as práticas sociais deparam-se com sistemas de governo criados e pensados no e para o século XIX.