A internet tornou-se o novo "espaço da aparência", o palco onde acontecem todas as guerras e disputas ideológicas contemporâneas. Nosso acesso cada vez mais imediato a esse espaço, seu uso diário e quase constante e sua proximidade física conosco, através de nossas várias telas, conferem-lhe o poder de se tornar uma extensão de nosso próprio corpo perceptivo e cognitivo.
Mas ainda não conseguimos domar e dominar esse matriz em constante mudança para a qual fomos empurrados, devido a que esse espaço também reconfigura radicalmente as interrelações entre subjetividade, opinião pública e poder político. De fato, nos últimos anos assistimos ao surgimento do fake, usado para tribalizar e dividir a população. O problema começa quando abandonamos os padrões usuais de apresentação de provas para fundamentar opiniões e afirmações, dando lugar a narrativas simplificadas e propagandas clickbait, anunciadas para influenciar e mobilizar facilmente a população contra determinados setores ou indivíduos.
Os quatro protagonistas da série “Resistências” foram vítimas de uma campanha de difamação altamente coordenada, cujo objetivo era silenciar e neutralizar as vozes da esfera intelectual e artística da sociedade brasileira, tornando visíveis os usos ilegítimos das novas tecnologias para fins políticos de repressão e perseguição política. Expostos a um turbilhão de ataques homofóbicos e misóginos intensamente violentos, os protagonistas foram forçados ao exílio quando as intimidações se transformaram em ameaças de morte explícitas.