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Por que a mobilidade social é uma má ideia

Se você quer uma sociedade mais justa, não aceite que você é um concorrente em uma corrida desvairada. English Español

Por que a mobilidade social é uma má ideia
Propriedades abandonadas em Jaywick, Essex, uma das cidades mais carentes do Reino Unido. - PA Images
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Foram muitos os que levantaram as sobrancelhas quando Jeremy Corbyn disse no mês passado que um governo trabalhista substituiria a mobilidade social por justiça social como referência política. Isso vai contra a sabedoria recebida e o consenso bipartidário de que a mobilidade social é uma coisa positiva. Mas Corbyn está certo ao insistir que destacar os poucos sortudos deixa intacta a estrutura da desigualdade, e ele está certo em enfatizar os movimentos de alcance maior, como a renovação do sistema educacional, para alcançar a justiça social. No entanto, o verdadeiro problema da mobilidade social não é que ela não vá longe o suficiente para tornar a sociedade mais justa para todos. Tem, de fato, o efeito oposto – aprofundar e perpetuar a injustiça social.

O discurso público e as narrativas da mídia sempre nos lembram que a sociedade é dinâmica. Ninguém fica parado. Todo mundo está subindo ou descendo escadas, indo de farrapos a riquezas e vice-versa. A mobilidade social serve como uma promessa e como uma ameaça: se jogarmos corretamente as nossas cartas, acumularemos status e riqueza, mas também perderemos tudo se não o fizermos.

Jogar nossas cartas corretamente significa dedicar tempo e dinheiro à educação, ao treinamento e aos círculos sociais, na esperança de que eles possam nos ajudar a garantir melhores empregos. Isso significa investir em propriedades e produtos que possam gerar capital futuro ou contratar planos de aposentadoria e seguro para ter garantia a longo prazo. A ideia de mobilidade social coloca cada um de nós como um indivíduo único entre uma multidão que disputa por concentrar mais recursos materiais que o próximo.