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Bolsonaro quer construir estrada sobre maior bloco de florestas protegidas do mundo

O megaprojeto Barão do Rio Branco, concebido pela ditadura militar e desengavetado pelo novo governo, ameaça a Amazônia brasileira. Español

Bolsonaro quer construir estrada sobre maior bloco de florestas protegidas do mundo
Vista aérea do território de Tumucumaque, que o projeto da rodovia pretende percorrer - Fernanda Ligabue. Todos los derechos reservados
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O Governo Bolsonaro quer abrir uma estrada cortando a maior área de floresta tropical protegida do mundo, um território maior que o Reino Unido. Esse plano existe desde a ditadura militar, que governou o Brasil entre 1964 e 1985, e foi tirado da gaveta pelo presidente, um capitão aposentado que cercou-se de assessores militares. A ideia é estender a rodovia BR 163 por cerca mil quilômetros sobre a Calha Norte, uma vasta área de floresta localizada entre o Rio Amazonas e a fronteira com o Suriname. Hoje, essa estrada já liga as regiões produtoras de soja ao sul do Brasil com os portos fluviais de Miritituba e Santarém.

O plano se chama Barão do Rio Branco, em homenagem ao diplomata que no fim do século 19 se tornou um herói nacional ao negociar com sucesso as fronteiras brasileiras com países vizinhos. Mas tanto na década de 1970, quando foi concebida, quanto em 2019, ano em que Bolsonaro chegou ao poder, a ideia carece de racionalidade econômica. Por outro lado, a estrada deve acarretar desastres sociais e ambientais, uma previsão que se baseia na história da própria BR-163 na Amazônia.

Arte: Júlia Lima

Embora o traçado final da estrada não esteja decidido, ele fatalmente cortará um enorme mosaico constituído de áreas protegidas, além de terras indígenas e quilombolas (territórios ocupados por negros que fugiram da escravidão) . "São 22 milhões de hectares de áreas protegidas que armazenam carbono. Isso também é essencial para o controle das mudanças climáticas", diz Jakeline Pereira, pesquisadora do Imazon. Apenas uma das quatro Unidades de Conservação que devem ser cortadas pela estrada – a Floresta Estadual do Trombetas – armazena 2,3 bilhões de toneladas de carbono, mais CO² que o Brasil inteiro emitiu em 2018. A Calha Norte faz parte de uma área rica em biodiversidade: 40% das suas espécies não existem em nenhum outro lugar do mundo.