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A revolução conservadora no Brasil

Agora é a vez de Bolsonaro acabar com os cursos de filosofia e sociologia, para ostensivamente privilegiar "áreas que geram um retorno imediato ao contribuinte". Español English

A revolução conservadora no Brasil
Apoiadores de Bolsonaro enchem um boneca inflável na cerimônia de abertura, em Brasília. - PA images: Todos os direitos reservados.
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É impossível entender o que está acontecendo hoje no Brasil se não levarmos a sério o que os membros do atual governo e seus aliados ideológicos chamam de "revolução".

Bolsonaro se vê liderando uma espécie de revolução conservadora que comanda a fé do seu eleitorado mais leal. Bolsonaro sabe que, no fim das contas, ele governa para esse centro de poder. Não há perspectiva de reeleger este governo por uma grande maioria. Mas, como nos lembram os manuais de guerra, um grupo menor e bem mobilizado é melhor que um grande grupo que não tem uma abordagem unificada de ação.

Um grupo menor e bem mobilizado é melhor que um grande grupo que não tem uma abordagem unificada para a ação

Aqueles que apoiam esse governo acreditam que estão em uma luta contra os poderes que sempre governaram o país (casta política, imprensa e elite intelectual). Eles acreditam que colocaram "um dos nossos" no centro do poder. Alguém que tem as mesmas características e que compartilha das mesmas dificuldades. Alguém que não tem medo de mostrar sua inaptidão para ocupar o cargo, criando assim alguma identificação empática com aqueles que nunca imaginariam ser presidente. Eles acham que nessa revolução não se deve "respeitar as instituições" que eram em grande parte responsáveis "por tudo o que existe", o antigo status quo. Eles se veem lutando pela "liberdade de expressão", especialmente se essa "liberdade" permite circulação de violência discursiva contra setores vulneráveis da sociedade, como mulheres, negros, LGBTQs – violência discursiva que legitima práticas violentas.