Twitter e Facebook bloquearam os posts de Donald Trump e suspenderam sua conta. Sua trajetória política não deixa dúvidas de que o ainda presidente dos Estados Unidos é antidemocrático. Entretanto, a preservação da democracia é uma tarefa das instituições públicas e não das corporações. Nesse sentido, por mais reconfortante e justo que possa parecer censurar Trump diante de uma possível tentativa de golpe de estado, estabelece um precedente perigoso.
Parece óbvio, mas não é supérfluo repeti-lo: Twitter e Facebook são atores políticos. Por trás da opacidade dos algoritmos, da lógica de publicação e segmentação, há máquinas, mas há também pessoas com interesses econômicos e políticos. O peso dessas multinacionais que brigam pela atenção ficou escancarado: a pessoa mais poderosa do planeta perdeu sua principal maneira de se expressar, porque os proprietários de uma plataforma assim decidiram. Em outras palavras, multinacionais podem censurar o presidente do Estado mais rico do mundo.
Em maior ou menor grau, os meios de comunicação de massa tradicionais são considerados atores com seus próprios interesses. Entretanto, nenhuma das empresas tradicionais de mídia imaginava, nem mesmo em seus sonhos mais felizes, com um poder semelhante ao de empresas como Google ou Facebook, que estão entre as cinco com maior capitalização do mundo e têm uma força incomum para representar, filtrar e construir parte do mundo em que vivemos.