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Ao regressar a Cuba de Cuba (onde nasci há muitas décadas) no dia seguinte à morte de Fidel Castro, não pude deixar de refletir sobre a coincidência temporal entre o falecimento de Fidel, uma figura histórica imponente e a eleição de Donald Trump como próximo presidente dos Estados Unidos. Sou um historiador que estuda a península ibérica e o Mediterrâneo ocidental a finais da Idade Médias e os princípios da Idade Moderna. Portanto, estes comentários que se seguem não apelam à experiência de um historiador de Cuba ou dos Estados Unidos. Estas são reflexões pessoais, que tentei situar no seu contexto histórico.
A minha esposa e eu estivemos em Cuba durante mais de duas semanas, uma das quais na Havana, passeando sobretudo pelos bairros não turísticos da cidade. Para aqueles que criticaram durante muito tempo a Revolução e a liderança de Fidel, houve muito que assinalar e muito onde apoiar as suas criticas. Apesar de que as condições sejam melhores agora que as que vivemos quando visitámos a cidade há quatro anos, e o cuidado do centro histórico da Havana ter melhorado muito, ainda há inúmeros edifícios da cidade que estão em ruinas e perto do colapso. Os passeios e as estradas tendem a desmoronar-se. Há escassez de bens essenciais como papel higiénico, shampoo, tomates e similares (ainda não há escassez de turistas nem de estrangeiros). O sistema de transporte público é praticamente inexistente. Para movimentar-se pela cidade, a maioria dos cubanos dependem de táxis muito antigos, os “coletivos”, que se detém nas esquinas e recolhem diferentes passageiros, dependendo do seu destino.