A emergência climática é uma questão de justiça social intrinsicamente relacionada com a desigualdade. Existe uma lacuna de riqueza bem documentada – que reflete injustiças históricas e relações de poder desiguais – entre as nações responsáveis pelas principais emissões de gases de efeito estufa e aquelas forçadas a lidar com seus efeitos adversos, que variam de enchentes a secas e incêndios florestais.
Por muito tempo, homens brancos no Norte Global – em grande parte intocados pelas realidades catastróficas das mudanças climáticas – dominaram o debate climático, excluindo populações do Sul Global, particularmente mulheres e comunidades indígenas. As consequências são emissões desenfreadas e financiamento insuficiente para apoiar ações de mitigação e adaptação, além de perdas e danos.
Enquanto isso, as “soluções” usuais, como a compensação de carbono, parecem agravar em vez de abordar as desigualdades globais. A gigante do petróleo Shell, por exemplo, planeja compensar 120 milhões de toneladas de dióxido de carbono de suas atividades poluentes com plantações de árvores em grande escala que provavelmente levarão à apropriação de terras no Sul Global.