Se não for mais uma das muitas fraudes e bravatas perpetradas pelo MBL, grupo de extrema direita brasileiro, a suposta viagem de dois de seus membros à Ucrânia sob invasão do exército de Putin corresponde a dois sintomas manifestos na periferia do mundo:
O primeiro é o de que esta guerra já é uma guerra mundial em curso principalmente – por enquanto e esperamos que aí se limite – no campo da (des)informação, ou, melhor, das novas formas da velha propaganda política que agora pode ser mais capilar e persuasiva graças aos algoritmos das plataformas de comunicação. Ou seja, a guerra russo-ucraniana já é uma guerra mundial de desinformação em que munições pesadas como a mentira deliberada, as fotografias e audiovisuais tirados de contextos originais, as sequências de jogos, a censura a meios de comunicação de um dos países envolvidos no confronto quente e o uso da estrutura da ficção hollywoodiana na construção das notícias pela imprensa hegemônica bombardeiam as subjetividades de quem deseja saber realmente o que se passa no mundo e estendem ao nível global a polarização política e o ódio que já dividiram países.
A própria incerteza dos brasileiros em relação à suposta viagem dos abutres do MBL à Ucrânia já diz muito de como a verdade sobre essa guerra nos escapa.