
Pasaporte sellado Pre-Schengen en Idomeni, Grecia. Wikimedia Commons.
Idomeni não é um campo de refugiados oficial, é uma pequena e pacífica vila grega que viu parte do seu território ocupado por uma população crescente, impedida de passar a fronteira com a República da Macedónia, o primeiro dos países da chamada “rota balcânica”. Desde o verão, o tráfego aumentou de modo avassalador. Diariamente, há cerca de 3000 pessoas a cruzarem a fronteira com a Macedónia. Este ano, chegaram à Grécia cerca de 729 mil pessoas requerendo asilo, de acordo com os números do ACNUR. Entre essa população há migrantes e há refugiados e tem sido a diferenciação entre eles, que muitos consideram injusta, que tem justificado os protestos e a escalada de violência no campo de Idomeni.
Cinco dias após os ataques de 13 de novembro em Paris, a República da Macedónia e a Sérvia passaram a permitir que apenas sírios, afegãos e iraquianos cruzassem as suas fronteiras. Aqueles que, desde 18 de novembro, foram impedidos de entrar na Europa pela Macedónia, permaneceram no campo de Idomeni. As nacionalidades variavam: havia magrebinos – marroquinos em quantidade –, muitos iranianos, palestinianos, ganenses, somalis, sudaneses, paquistaneses, bangladechianos, nepaleses, indianos. Cerca de 80% da população fixada no campo era masculina. Os iranianos, os palestinianos, os ganenses, os somalis, os sudaneses e os nepaleses viajaram sobretudo em família, ao passo que grande parte dos magrebinos, dos paquistaneses e dos indianos eram homens entre os 25 e os 35 que vieram entre grupos de amigos. Muitos dos que podem cruzar a fronteira com a Macedónia – sírios, afegãos, iraquianos e palestinianos refugiados da Síria (os palestinianos refugiados do Líbano não podem passar a fronteira) – vêm em família. O fechamento das fronteiras a certas nacionalidades estabelecido pelas autoridades macedónicas e sérvias visa diferenciar migrantes de refugiados.