Na América, especialmente na América do Sul, a conversa em torno do estabelecimento da civilização ocidental ainda é referida como “a descoberta do novo mundo”. Mas, a verdade é que, quando os europeus vieram para a América, o continente não era exatamente “novo” e eles também não haviam “descoberto” nada.
Antes do final dos anos 1400, muitos grupos de povos indígenas habitavam a totalidade das terras que hoje chamamos de “continente americano”. Eles tinham suas próprias culturas, suas próprias organizações econômicas, sociais e políticas, suas próprias relações com a espiritualidade e seus próprios costumes e crenças. Eles tinham suas próprias maneiras de estudar e entender o mundo, interagindo com a natureza e adquirindo conhecimento em assuntos como matemática, astronomia e arquitetura. Alguns desses conhecimentos eram ainda mais avançados do que o que veio do "velho continente".
Ainda estamos aprendendo com seus modos de vida para entender melhor a economia, a ecologia e a política atuais. Assim, ao invés de uma "descoberta", devemos nos referir a esse episódio na história da humanidade como um contato mútuo de civilizações, se não um choque de culturas e uma aproximação de formas divergentes de pensar, conhecer e aprender. As primeiras nações que viviam no que chamamos de “continente americano” em português e espanhol ou “as Américas” em inglês, compartilhavam e lutavam por seus territórios, mas também viviam dentro de seus ecossistemas e grupos sociais de acordo com seus próprios valores e modos de saber.