No momento em que este artigo foi escrito, o Peru era um país onde dois dos três ramos do Estado careciam de responsáveis a cargo. Um Poder Executivo sem presidente ou vice-presidentes; sem chefe do Conselho de Ministros e sem gabinete em funções. Poder legislativo sem presidente, nem conselho de administração. Na noite de domingo (15), a sessão plenária do Congresso não conseguiu formar uma nova mesa em uma votação em que uma única lista supostamente consensual foi indicada, encabeçada por Rocío Silva Santisteban, líder da Frente Ampla e ativista de direitos humanos.
Como surgiu essa situação caótica? Na segunda-feira passada (9), o Congresso eleito em janeiro deste ano conseguiu o que não conseguiu no mês anterior: destituir o presidente Martín Vizcarra, que por sua vez sucedeu o polêmico Pedro Pablo Kuczynski em março de 2018. Baixo o leque de investigações fiscais que mostraram sinais de corrupção de Vizcarra durante seu mandato no governo regional de Moquegua, há mais de uma década, os parlamentares avançaram com o objetivo de destituir o presidente do poder.
Há vários anos, o termo "coalizão de independentes" foi cunhado para explicar o funcionamento dos partidos políticos peruanos, com políticos que ocasionalmente convergem para um projeto político de abandonar o navio assim que este deixar de ser um veículo ideal. Não existem ideologias, programas ou projetos de longo prazo. Não há elite política, mas sim grupos que alternam o poder sem se consolidar ao longo do tempo.