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Por que a direita brasileira teme Paulo Freire?

A administração Bolsonaro usa uma caricatura enganosa do educador para justificar seu ataque à educação pública.

Por que a direita brasileira teme Paulo Freire?
Estudantes protestam contra os cortes de verba da educação da administração Bolsonaro em São Paulo, Brasil, em 15 de maio de 2019
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O educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997) foi uma figura de destaque na pedagogia crítica do século XX e célebre autor do texto inovador, "Pedagogia do Oprimido", publicado em 1968. O trabalho de Freire propõe um método dialógico de alfabetização que fomenta a conscientização e encoraja a participação em lutas políticas. De acordo com um estudo de 2016, "Pedagogia do Oprimido" foi o terceiro livro mais citado nas ciências sociais. Como Daniel Schugurensky escreve em sua biografia intelectual de Freire, de 2011, "nenhum outro pensador educacional do Sul Global atraiu tanta atenção internacional para suas ideias".

No entanto, o legado de Freire continua sendo um tema polêmico no Brasil contemporâneo. A direita brasileira tende a retratar Freire como um perigoso subversivo que planejava doutrinar a juventude. O governo de direita do presidente Jair Bolsonaro usou essa caricatura enganosa para justificar seu ataque à educação pública.

Em discursos e entrevistas, Bolsonaro e seus aliados descrevem Freire como uma espécie de bicho-papão esquerdista cuja influência precisa ser expurgada do sistema educacional brasileiro. Durante sua campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu a seus partidários que entraria no ministério da educação com um "lança-chamas" para remover Paulo Freire. Abraham Weintraub, agora ex-ministro da Educação de Bolsonaro, culpou Freire pela baixa classificação educacional do Brasil e comparou a pedagogia freireana a um "vodu sem comprovação científica". Da mesma forma, o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, conhecido como "guru" de Bolsonaro, descarta Freire como um "militante pseudo-intelectual" que produziu "uma coleção de truques para reduzir a educação à doutrinação sectária".