Uma das minhas memórias de infância é estar em um playground e brincar de Miss Venezuela. Não era pouca coisa. Nós crescemos com esse orgulho das nossas origens, um país onde a grande variedade de raças mistas resultou em nosso “mestizaje”, miscigenação, e a Miss Venezuela, uma noite em que as famílias se reuniam para apoiar a representante de sua região, estava no centro desta narrativa. Somente depois de vários anos percebi não apenas o dano auto-infligido em nossa psique nacional, mas também outros países teriam essa imagem de nós como o país dos concursos de beleza. O que não sabíamos era que, em tempos de crise, isso se tornaria uma faca de dois gumes.
Devido a uma crise política, econômica e humanitária, os venezuelanos estão fugindo e deixando tudo para trás em busca de segurança. Segundo o ACNUR, a Agência de Refugiados da ONU, como o número de refugiados e migrantes da Venezuela ultrapassa 4 milhões, este se tornou o maior fluxo migratório na história da região americana e, depois da Síria, é atualmente o segundo maior do mundo.
Se anunciou recentemente que, enquanto pela primeira vez os pedidos de asilo na União Europeia por cidadãos sírios - a maior nacionalidade representada - caíram 8% em 2018 para 20.392, os venezuelanos ficaram em segundo lugar, com 14.257 cidadãos. Enquanto um governo acusado de cometer graves violações pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos continua em negação, os venezuelanos estão vivendo um pesadelo diário sem nenhum sinal de luz no fim do túnel.