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Como representar as minorias ausentes na política brasileira

Tecnologias digitais podem facilitar a representação de minorias na política, como mostra o caso do Brasil.

Como representar as minorias ausentes na política brasileira
Sistema de voto electrónico en las elecciones municipales de Brasil, 16 de noviembre 2020. | Rafael Henrique / SOPA Images/Sipa USA/PA Images
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A ideia de representação carrega em sua origem um paradoxo: representar implica que alguém que está ausente esteja presente. Representantes são aqueles que, em tese, devem tornar presente alguém que, no entanto, está ausente. Nas célebres palavras de Hanna Pitkin: “representação significa o tornar presente de algo que, no entanto, não está literalmente presente” (1967: 144).

Esse paradoxo encontra-se na base de algumas das principais controvérsias que cercam a representação política. A “representação substantiva” foca nos interesses daqueles que são representados e almeja refletir suas posições ideológicas. Já a “representação descritiva” foca nas características específicas dos representados com vistas a refletir as experiências compartilhadas que resultam de seu pertencimento a grupos.

Enquanto a representação substantiva confere uma maior liberdade ao representante, a representação descritiva busca assegurar uma maior igualdade aos representados. Por isso, essa última associa-se a um ideal de empoderamento das minorias e traduz-se na defesa de uma “política da presença” (Philipps, 1998), isto é, na ideia que grupos constituídos pela identidade de gênero, raça e etnia devem ter como representantes as próprias pessoas que representam.