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Tendências de inovação política na América Latina: O Protagonismo Cidadão

Práticas e comportamentos que manifestam a inovação política e contribuem para ampliar a democracia e a luta por direitos. Español  English

UPDATE
11 August 2016
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Ciclistas em uma protestam a favor do meio ambiente em São Paolo. (AP Photo/Nelson Antoine)

Continuando a série de textos sobre o ecossistema de inovação política na América Latina, apresentaremos com mais detalhes e exemplos de caso cada uma das quatro tendências identificadas no mapeamento realizado pelo Update: “Protagonismo Cidadão,” “Identidade Estética,” “Cidadão em Foco” e “Transparência 360.”

Neste texto, vamos detalhar e apresentar práticas de Protagonismo Cidadão, tendência caracterizada pelo maior envolvimento e corresponsabilização dos cidadãos pelas questões públicas e a conscientização sobre as possibilidades – em especial as possibilidades do século XXI - para engajamento e atuação coletiva.

Cada uma das tendências se materializa em práticas de diversas naturezas, as quais foram agrupadas e organizadas em microtendências. O Protagonismo Cidadão se concretiza nas seguintes microtendências: a Pressão Ativista, a Micropolítica e a Formação P2P.

Pressão Ativista

A Pressão Ativista já é bastante reconhecida em diversas práticas políticas na América Latina e no mundo: protestos e mobilizações sociais em formatos mais ou menos tradicionais, mesclados com modelos, ferramentas e formatos inovadores, com atuação em rede, priorizando a horizontalidade e a multiplicidade de lideranças.

Estes comportamentos podem ser identificados em iniciativas como:

- movimento secundarista, em São Paulo, Brasil. De forma totalmente horizontal, independente e autônoma estudantes de escolas públicas estaduais de SP se organizaram e ocuparam suas escolas em protesto contra o fechamento de escolas e alterações forçadas de turma, decididos de forma arbitrária pelo governo estadual. Utilizando aplicativos para comunicação rápida, forte atuação em midias sociais e contando com suporte de plataformas de mobilização como a Minha Sampa, ocuparam diversas escolas de forma coordenada e inovadora: cuidando do ambiente, cozinhando e promovendo aulas públicas, debates e atividades esportivas e culturais. Após alguns meses, o governo estadual recuou da decisão.

- YaSunidos. Uma expressão social não partidária, autônoma e autogestionada nascida a partir da confluência de diversos grupos sociais mobilizados para barrar projeto de extração de petróleo em Yasuni, no Equador, e se engajar em lutas contra o atual modelo de desenvolvimento.

Outros exemplos de Pressão Ativista são as mobilizações mexicanas em protesto pelo desaparecimento forçado de quarenta e três jovens estudantes da escola rural do magistério de Ayotzinapa, no Estado de Guerrero. Ou, ainda, o #tomaelbypass, mobilização cidadã contra obras viárias de alto impacto e políticas controversas de mobilidade urbana em Lima, no Peru.

Micro Política

A segunda microtendência que expressa o Protagonismo Cidadão é a Micro Política: ações pontuais que mudam do “do it yourself” para “do it together”, organizados de forma espontânea por grupos locais, vizinhos e cidadãos dispostos a participar de alguma atividade coletiva no território.

No Peru, a iniciativa Ocupa Tu Calle (https://ocupatucalle.org/) proporciona a recuperação ou aperfeiçoamento de espaços públicos, com a ajuda de voluntários realizam um processo de resgate do direito ao espaço público e trabalham a ideia do direito a cidade. Criam parklets, mini-parques, ciclovias, fechamento temporal de ruas, calçadas e biciletários. Assim, como no Peru vemos esse movimento pulsante em outros lugares na região latino-americana.

No Brasil, a iniciativa Acupuntura Urbana realiza mapeamentos afetivos (Diagnósticos que resgatam as histórias e fortalecem a identidade da comunidade), Transformações urbanas (processos de transformação de espaços públicos) e Ocupativações (atividades que promovem a consciência coletiva, a criatividade e o cuidado com a cidade, estimulando a interação e o fortalecimento de laços entre as pessoas).

Outro exemplo de Micro Política é a organização Um Teto para Meu Pais. Nascida no Chile, atualmente tem abrangência latino-americana; presente em 19 países da região atua na construção de casas emergenciais e programas de habilitação social por meio do engajamento de jovens voluntários.

Formação P2P

A última microtendência que expressa o Protagonismo Cidadão foi chamada de  Formação P2P. Seguindo a lógica do “peer do peer” (relações diretas, sem intermediações) surgem projetos e organizações dedicadas a oferecer capacitação para atores do próprio ecossistema. Pode-se dizer que cumprem um papel de formação entre pares para potencializar atuação cidadã, tanto no que diz respeito às temáticas quando às ferramentas e tecnologias disponíveis.

Destacamos algumas iniciativas de Formação P2P em diferentes países latino-americanos.

Na Bolívia, a plataforma Barrio de Las Heroínas mantém uma rede de ativismo com perspectiva de gênero e, além de informações e notícias, oferece oficinas de capacitação em temas como “mediativismo com perspectiva de gênero”, para ensinar sobre o uso das tecnologias da informação de comunicação para o ativismo social com perspectiva de gênero.

No Brasil, a Escola de Ativismo é um coletivo independente, constituído em 2012, com a missão de fortalecer o ativismo no Brasil por meio de processos de aprendizagem em estratégias e técnicas de ações não-violentas, campanhas, comunicação, mobilização, ações criativas e segurança da informação, voltadas para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da sustentabilidade.

Há, também, iniciativas cuja abrangência é latino-americana: o Gob24/7 é uma plataforma de construção colaborativa de um “Manual de Governo Aberto” organizado segundo temas e serviços públicos, ou o HacksLabs, uma plataforma lançada em 2014 para acelerar startups de jornalismo de dados, oferecendo investimento, mentoria e suporte técnico para os projetos que articulam o movimento de dados transparentes, jornalismo baseado em dados e participação cidadã.

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Para conhecer mais sobre o mapeamento de inovação política na América Latina, acesse a plataforma Update e siga o Twitter, onde publicamos diariamente conteúdo sobre as práticas e organizações mapeadas, que publicamos na serie de artigos conjunta com DemocraciaAbierta sobre democracia e experimentação política no século XXI.

Will COVID break up the UK?

Support for Scottish independence is at record levels. Support for a united Ireland is at record levels. Support for Welsh independence is at record levels.

The British state's management of the COVID crisis has widely been seen as disastrous. Will the pandemic accelerate the break-up of the United Kingdom?

Join us on Thursday 6 August at 5pm UK time/6pm CET for a live discussion.

Hear from:

Anthony Barnett Founder of openDemocracy, he has often written about the need for a progressive England to emerge from the shadow of Britain.

Allison Morris Security correspondent and columnist with the Irish News, and an analyst of politics in Northern Ireland.

Harriet Protheroe-Soltani Trade union organiser for Wales and the south-west, vice chair of the campaign group Momentum, and has written about rising support for Welsh independence on the Left.

Chair: Adam Ramsay Editor at openDemocracy and frequent writer about Scottish independence, most recently in The Guardian.

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