Em 2017, o povo de Zagora, no Marrocos, foi às ruas no que ficou conhecido como a “revolução da sede” para pedir água potável e o fim do uso excessivo de água pelas grandes empresas agrícolas. Em uma área já árida, com secas e ondas de calor frequentes devido às mudanças climáticas, grande parte do abastecimento de água disponível é usado para cultivar melancias para exportação para a Europa, resultando em um suprimento insuficiente, não confiável e não potável para a população local. Durante as manifestações, 23 pessoas foram detidas.
No Marrocos, irrigação para a agricultura consome quase 90% da água disponível anualmente. Essa extração intensa remonta ao período colonial, quando as autoridades francesas substituíram o khettara – um sistema de irrigação tradicional desenvolvido e administrado pelas comunidades locais – por estruturas de uso intensivo de água que permitem que a produção atenda à demanda dos mercados europeus.
A agricultura agora constitui quase 15% do PIB de Marrocos. A indústria recebe apoio substancial de bancos públicos de desenvolvimento, como o Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Mundial. Ambos os bancos apoiaram o Plano Marrocos Verde de 2008, que visava “explorar plenamente o potencial agrícola do país”. O plano favoreceu cultivos orientados para a exportação com altas necessidades de água, como melancia, tomate e frutas cítricas.