Ivonne Parra sobreviveu à base de oito sedativos diários por 15 dias após o assassinato de seu filho. Ela não conseguia fazer nada além de lamentar a perda de seu único filho. Seus amigos cuidaram de toda a papelada no escritório do legista e na funerária, enquanto ela chorava em casa.
Quase um mês após a execução, Ivonne sentiu que precisava sair da cama e limpar o nome de seu filho, que foi tachado de criminoso na versão policial. Segundo Ivonne, Guillermo José Rueda Parra, de 20 anos, foi assassinado por oficiais das Forças de Ações Especiais (FAES), órgão de segurança de elite do Estado venezuelano, ligado à Polícia Nacional Bolivariana.
Eram 6h da manhã de 12 de dezembro de 2017 quando Ivonne deparou-se com cinco agentes do lado de fora de sua casa, localizada no setor Blandín da antiga rodovia Caracas-La Guaira. Ali, diante de seus olhos, seu filho, desarmado e de pijama, foi morto a tiros, descreve Ivonne. Os colocaram uma arma na mão de Guillermo para simular uma agressão, afirma.