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A violência eleitoral no México tem vários responsáveis

Em meio à corrupção endêmica do sistema político mexicano, múltiplos atores continuem a usar a violência como "política por outros meios".

Andrés Manuel López Obrador com as mãos sobre os olhos
O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, em entrevista coletiva sobre as eleições de 6 de junho de 2021 - Raj Valley/Alamy Stock Photo
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No último domingo, 6 de junho, os mexicanos participaram das maiores eleições da história do país. Em jogo estavam 15 governos, 30 legislaturas estaduais, 1,9 mil prefeituras, além da renovação de toda a Câmara dos Deputados. Embora o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), não estivesse concorrendo, a eleição foi vista em grande parte como um referendo de sua presidência e um possível instrumento para fortalecer seu partido (Morena) frente às eleições presidenciais de 2024.

O processo eleitoral se viu marcado por fortes divisões entre os candidatos políticos, bem como por um clima de polarização alimentado pelos ataques de López Obrador contra as instituições eleitorais do país e seus detratores, incluindo jornalistas e ativistas sociais. Mas essa fratura não foi o único fator que ofuscou as eleições mexicanas.

Durante os meses que antecederam as eleições, o país testemunhou uma onda de violência crescente e aparentemente onipresente que afetou a vida e a segurança pessoal de candidatos políticos e funcionários públicos (especialmente prefeitos), mas também de líderes partidários, jornalistas e ativistas de direitos humanos. Segundo algumas estimativas, houve mais de 140 assassinatos nas eleições deste ano. Geograficamente concentrada em estados como Oaxaca, Baja California, Veracruz, Guerrero, Michoacán e Jalisco, essa onda de violência envolveu expressões altamente visíveis de dano, como tortura, linchamento, tiroteio, mutilação e exibição de cadáveres em espaços públicos.