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Onde está a democracia angolana?

Após várias semanas de tensão nas ruas, foram reportados vários mortos durante manifestações em Luanda no decurso dos festejos do 45º aniversário da Independência Angolana.

Onde está a democracia angolana?
Policiais se preparando para as manifestações nas ruas de Luanda em 11 de novembro.
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A instabilidade social aumenta em Angola desde o primeiro protesto em larga escala a 24 de Outubro, e da morte do Dr. Sílvio Dala pelas mãos da polícia. Nas últimas manifestações, a juventude urbana saiu à rua às centenas, tendo sido recebidos com ameaças e “raptos” por parte das autoridades. Muitos foram levados pela polícia e vários jornalistas foram detidos sem qualquer motivo aparente, apenas por desempenhar as suas funções. Parece que o regime deseja ocultar os seus problemas ao resto do mundo.

Angola gostaria de se apresentar ao mundo como uma nação democrática e cumpridora das leis, no entanto, a sua classe política no poder está a colocar os seus interesses políticos acima de tudo, relegando os interesses do povo para último. Estas questões arrastam-se sem resolução apenas porque não existe qualquer vontade para as resolver.

Desde a chegada do novo presidente em 2017, o clima de incerteza e tensão em Angola tem escalado. Mesmo antes do COVID, a situação económica era catastrófica, com a moeda local a perder mais de 40% do valor em meros meses. Hoje o país encontra-se num ponto de ruptura, com o povo a não ter nada mais a perder. Alguns perderam os seus negócios, outros estão incapazes de pagar as suas dívidas, muitos mal conseguem fazer face às despesas. O país é governado por uma classe de elite que se promove a posições de poder para servir os seus próprios interesses. Estes autointitulados guardiões de Angola escondem-se atrás de máscaras no seio do partido político.