Dezenas de mulheres movem as pernas e os braços em um único ritmo. Cotovelos parados, punhos subindo e descendo. Braços que se alternam. Joelhos que acompanham o ritmo. Uma venda nos olhos. A imagem foi repetida dezenas de vezes nas últimas semanas no Chile, na França, na Espanha, na Índia e na Colômbia.
De Bogotá a San José del Guaviare. O canto acompanha todos os movimentos: "E a culpa não foi minha, nem onde eu estava, nem como me vestia." A performance virou um emblema.
“Um estuprador no seu caminho” foi criado por quatro chilenas de Valparaíso que compõem o coletivo LASTESIS. Há um ano e meio, a LASTESIS busca encenar teorias feministas através de outras linguagens. Essa performance, em particular, é o resultado de uma investigação que elas fizeram sobre estupros no Chile, em que descobriram que apenas 8% dos julgamentos de estupro terminam em condenação.