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Argentina: sem plano ou estratégia para governar

Através de Alberto Fernández, Cristina Kirchner realinhou o kirchnerismo e o peronismo para vencer a eleição, mas sua manobra carece dos dispositivos que possibilitam traduzir essa articulação em uma gestão pública eficiente.

O atual presidente argentino, Alberto Fernández, participa de uma homenagem a Néstor Kirchner, o ex-presidente da Argentina (
O atual presidente argentino, Alberto Fernández, participa de uma homenagem a Néstor Kirchner, o ex-presidente da Argentina (2003-2007) em 27 de outubro de 2020 em Buenos Aires, Argentina
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A manobra de Cristina Kirchner de propor a Alberto Fernández a candidatura à presidência da Argentina foi sem dúvida astuta, pois permitiu a ela e seus aliados se rearticularem com o peronismo, que também precisava do kirchnerismo.

Essa necessidade mútua permitiu que Kirchner nomeasse Fernández, provavelmente por sua capacidade de gerar espaços de diálogo dentro do peronismo e com setores hostis ao kirchnerismo. Também por seu espírito negociador, ferramenta essencial para as negociações entre a Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Desse modo, a ex-presidente renunciou ao projeto autônomo vinculado à Unidad Ciudadana, coalizão criada em 2017. O peronismo, por sua vez, sabia que sem os votos de Kirchner seria impossível ganhar a eleição, então o jogo foi uma soma positiva. A partir desta implicação mútua, nasceu a Frente de Todos.