Debates em torno dos direitos trans têm sido manchetes nos últimos tempos. A grande mídia tende a reduzir as demandas feitas pelos ativistas trans a quais pronomes as pessoas devem usar ou se as mulheres trans devem ser autorizadas a usar banheiros de mulheres ou participar de esportes femininos.
Embora essas questões sejam importantes, focar nelas pode vir às custas de uma luta mais fundamental – não apenas pelos direitos trans, mas pela libertação trans. Na academia e nos movimento de base, o novo ramo do marxismo trans entende a opressão das pessoas trans não apenas como resultado do preconceito das pessoas individuais, mas como parte da exploração capitalista.
A polícia de gênero
As pessoas trans têm muito mais probabilidade de fazer parte da classe trabalhadora do que seus equivalentes não trans. Um estudo de 2015 descobriu que, nos EUA, 30% das pessoas trans vivem na pobreza, o dobro da taxa de pessoas não trans. Entre pessoas trans latinxs, o número sobe para 43% e entre pessoas trans com deficiência é mais próximo de 50%. Muitas pessoas trans têm dificuldade de acessar ou manter empregos, uma vez que mais de três quartos sofrem discriminação no local de trabalho, nas formas de recusa de contratação, violência sexual ou violações de privacidade (como a identidade trans de uma pessoa sendo 'revelada' a colegas de trabalho, o que pode resultar em assédio ou discriminação).