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Bolsonaro, Lula e as guerras virtuais no Brasil

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Há dez anos a popularização da internet e das redes sociais no Brasil alterou radicalmente a circulação de ideias na esfera pública. Em pouco tempo, jornalistas, intelectuais e celebridades tradicionais passaram a dividir espaço com mídias alternativas, youtubers e influencers. 

Na disputa pela atenção de um público crescentemente desconfiado da mídia mainstream e saturado por um tsunami de informações, conteúdos diferenciados passaram a ganhar a competição por visualizações e cliques. E a vantagem nessa corrida ficou com quem disparou primeiro: influenciadores direitistas que mobilizam recorrentemente a política do choque.

A política do choque é uma estratégia utilizada por grupos marginalizados no debate público para chamar atenção. Tal estratégia pode ser utilizada à esquerda e à direita. Um exemplo à esquerda foi quando participantes das Marchas das Vadias, dentro e fora do Brasil, procuravam chamar atenção para suas demandas ao exporem seus seios em público. À direita, se tornou comum o uso de uma retórica agressiva, permeada de palavrões e humor ácido, o ‘politicamente incorreto’.