
Brasília – Revoltados com a criação de uma comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que dá ao Congresso Nacional poderes para demarcar terras indígenas, centenas de índios invadiram o plenário da Câmara dos Deputados e tomaram as cadeiras dos parlamentares. José Cruz / ABr - Agência Brasil. CC BY 3.0 br.
Ausência de eleições livres, criminalização das vozes críticas ao governo, repressão sistemática a manifestantes e um Poder Judiciário inerte perante os abusos do governo. Estas são apenas algumas das razões pelas quais a Venezuela merece o rótulo de ditadura. Se, em dito país, a ruptura da democracia afeta à população em geral e aos povos indígenas em particular, no Brasil os povos indígenas e quilombolas são vítimas de atropelos institucionais, violência e impunidade em dimensões próprias de um país sem estado de direito.
Até julho de 2017, 33 defensores do ambiente tinham sido assassinados no Brasil, sendo a maioria indígenas. Com 50 execuções em 2015 e 49 em 2016, o Brasil lidera, há três anos, a lista de países com o maior número de assassinatos de defensores da natureza. Tais mortes costumam ocorrer sob o mesmo padrão: autoridades locais, vinculadas a latifundiários que ocupam terras tradicionais, patrocinam os ataques, gozando de uma impunidade quase absoluta. Enquanto na Venezuela a Guarda Nacional Bolivariana é aquiescente com civis armados que assassinam manifestantes, em alguns estados do Brasil, milícias financiadas por latifundiários reprimem e executam integrantes de comunidades que reivindicam seus territórios.