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‘Brasil o país dos meus sonhos’

Nove mulheres revelam os motivos que as levaram até o Brasil e quais foram suas experiências no país. Nem todas as histórias de migração são iguais.

‘Brasil o país dos meus sonhos’
Iguaçu Falls | Dennis Jarvis/Flickr. Creative Commons (by-sa)
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Eu costumava assistir documentários sobre o Brasil antes de vir para cá, e dizia a mim mesma: “Eu tenho que ir para lá”. Era o país dos meus sonhos, por muito tempo. Eu seguia as telenovelas brasileiras. Eu via as praias, a natureza – eu gosto muito da natureza e o Brasil tem a maior floresta do mundo; nós temos a segunda no Congo, a floresta equatorial. Eu queria vir ao Brasil e explorar a Amazônia. Eu prefiro não falar sobre o contexto político no meu país.

Eu fui bem recebida quando cheguei no aeroporto. Os brasileiros me receberam bem, apesar de eu não saber a língua e, mesmo eu falando um pouco de inglês, é muito difícil interagir sem falar português. Eu não conseguia entender quando alguém falava comigo, então eu simplesmente ficava lá, assistindo as pessoas falarem, sem entender nada. Não foi fácil. Eu fiquei muito dependente do meu celular, para me comunicar e me locomover. Se eu tinha algum compromisso em algum lugar, eu usava o Google Maps. Se eu estava no ônibus e eu queria descer, mas a porta estava fechada, eu não descia porque eu não sabia pedir para o motorista parar. Às vezes, alguém vê que você está com dificuldade e fala por você, te ajuda. A língua é realmente um grande obstáculo para a liberdade de qualquer um.

Eu vim para o Brasil para me integrar, para ganhar conhecimento sobre o mundo.

E você se sente mal. Você é inteligente, você sabe o que fazer, você sabe o que quer, mas a língua não permite que você seja você. Você quer dizer coisas, mas você não sabe como dizê-las, apesar de você ter muitas ideias na sua cabeça. Por isso, você não é considerada pelas pessoas. Eu me matriculei em uma escola de línguas, onde eu estudei português por um mês. Eu comecei a aprender, mas não conseguia entender – era muito difícil. Eu disse para mim mesma: “mas isso é conjugação básica e literatura. Eu sou como uma criança, de volta no jardim de infância”. Eu sei latim, e latim é parecido com português – é a mãe da língua – então, eu entendo algumas palavras. Eu fiz mais três meses de aula antes de eu começar a melhorar.