democraciaAbierta: Feature

‘Brasil o país dos meus sonhos’

Nove mulheres revelam os motivos que as levaram até o Brasil e quais foram suas experiências no país. Nem todas as histórias de migração são iguais.

17 Março 2021, 2.52
Iguaçu Falls
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Dennis Jarvis/Flickr. Creative Commons (by-sa)

Eu costumava assistir documentários sobre o Brasil antes de vir para cá, e dizia a mim mesma: “Eu tenho que ir para lá”. Era o país dos meus sonhos, por muito tempo. Eu seguia as telenovelas brasileiras. Eu via as praias, a natureza – eu gosto muito da natureza e o Brasil tem a maior floresta do mundo; nós temos a segunda no Congo, a floresta equatorial. Eu queria vir ao Brasil e explorar a Amazônia. Eu prefiro não falar sobre o contexto político no meu país.

Eu fui bem recebida quando cheguei no aeroporto. Os brasileiros me receberam bem, apesar de eu não saber a língua e, mesmo eu falando um pouco de inglês, é muito difícil interagir sem falar português. Eu não conseguia entender quando alguém falava comigo, então eu simplesmente ficava lá, assistindo as pessoas falarem, sem entender nada. Não foi fácil. Eu fiquei muito dependente do meu celular, para me comunicar e me locomover. Se eu tinha algum compromisso em algum lugar, eu usava o Google Maps. Se eu estava no ônibus e eu queria descer, mas a porta estava fechada, eu não descia porque eu não sabia pedir para o motorista parar. Às vezes, alguém vê que você está com dificuldade e fala por você, te ajuda. A língua é realmente um grande obstáculo para a liberdade de qualquer um.

Eu vim para o Brasil para me integrar, para ganhar conhecimento sobre o mundo.

E você se sente mal. Você é inteligente, você sabe o que fazer, você sabe o que quer, mas a língua não permite que você seja você. Você quer dizer coisas, mas você não sabe como dizê-las, apesar de você ter muitas ideias na sua cabeça. Por isso, você não é considerada pelas pessoas. Eu me matriculei em uma escola de línguas, onde eu estudei português por um mês. Eu comecei a aprender, mas não conseguia entender – era muito difícil. Eu disse para mim mesma: “mas isso é conjugação básica e literatura. Eu sou como uma criança, de volta no jardim de infância”. Eu sei latim, e latim é parecido com português – é a mãe da língua – então, eu entendo algumas palavras. Eu fiz mais três meses de aula antes de eu começar a melhorar.

Quando eu deixei o meu país, eu deixei muitas coisas para trás. Mas, antes de começar a me arrepender da minha decisão, eu sempre dizia para mim mesma: “Eu vou me encaixar aqui, de pouco em pouco”. Eu terminei a universidade em 2015. Eu tinha me graduado em Latim e Filosofia, em 2010, e na universidade eu estudei política e ciências da administração política. Mas, com a política no nosso país, eu corria o risco de morrer trabalhando como cientista política, então eu mudei para negócios e administração, no fim. Eu fiz um estágio no Ministério das Relações Exteriores, em 2015, mas, depois desta experiência e de ver com como as coisas funcionavam por lá, eu decidi sair.

Eu esqueci de trazer os meus diplomas comigo quando eu vim para o Brasil. Eu contatei meus pais e eles conseguiram me enviar todos os documentos agora; eu pretendo estudar aqui. Eu gosto de estudar e descobrir coisas novas. Se Deus ajudar, eu vou refazer os meus estudos. Nós temos muitas mulheres inteligentes no Congo, mas nos falta incentivo e meios para estudar e fazer outras coisas. Eu vim para o Brasil para me integrar, ganhar algum conhecimento de fora do mundo. Conhecer como o Brasil funciona, ver que existe mulheres brasileiras em posições administrativas e políticas aqui, é um aprendizado. Eu desejo que tenhamos equidade no Congo, que as pessoas possam fazer coisas por razões que não sejam porque elas são homens ou porque elas têm nome ou família. Então, se eu tiver que retornar ao meu país, eu vou lutar por equidade para as mulheres. Existe muitas mulheres inteligentes que precisam apenas de uma oportunidade.

V. A., um ano no Brasil

Esta série foi apoiada financeiramente por Humanity United.

Is it time to pay reparations?

The Black Lives Matter movement has renewed demands from activists in the US and around the world seeking compensation for the legacies of slavery and colonialism. But what would a reparative economic agenda practically entail and what models exist around the world?

Join us for this free live discussion at 5pm UK time (12pm EDT), Thursday 17 June.

Hear from:

  • Keeanga-Yamahtta Taylor: Author of Race for Profit: How Banks and the Real Estate Industry Undermined Black Homeownership
  • Esther Stanford-Xosei: Jurisconsult, Pan-Afrikan Reparations Coalition in Europe (PARCOE).
  • Ronnie Galvin: Managing Director for Community Investment, Greater Washington Community Foundation and Senior Fellow, The Democracy Collaborative.
  • Chair, Aaron White: North American economics editor, openDemocracy

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