Ele pode ser bem-vindo nos domínios dos xeques do Golfo, onde a fé religiosa, a venda de armamentos, alimentos e até clubes de futebol como o Palmeiras são temas de discussão. Mas em outras partes do mundo, Jair Bolsonaro é indesejado. O presidente dos Estados Unidos o evita publicamente. As celebridades de Hollywood o rejeitam. Os principais políticos da Europa não apenas o esnobam, mas estendem o tapete vermelho para Lula, seu inimigo político. Nas arenas diplomáticas, o ex-capitão é radioativo.
Mas o que levou a esse equivalente político de um acidente nuclear? Fora do Brasil, essa questão raramente está posta. O acúmulo dessa ruptura desenvolveu-se, no entanto, ao longo de muitos anos. “Ontem” diz muito sobre o “hoje”. Mas vamos primeiro anotar algumas interpretações do exterior nos últimos anos.
Para muitos forasteiros, Bolsonaro e seus companheiros agitadores da Bíblia apareceram sem aviso. Parecem “não convidados” em uma democracia que estava a fazer o que podia para lidar com os problemas internos e desempenhar seus papéis no exterior de maneira inofensiva. Para a “comunidade internacional”, Bolsonaro é odioso. Fulmina rotineiramente conclaves de elites globais e burocratas cosmopolitas com seus arranjos multilaterais (portanto, criptossocialistas) para governar o mundo. Ameaçou retirar o Brasil da Organização Mundial da Saúde e dos Acordos Climáticos de Paris. Concretamente, retirou o País do Pacto Global para a Migração, endossado pela ONU.