Os constituintes rompem com antigos cerimoniais, as mulheres apresentam uma proposta de regulamentação feminista que pode mudar o destino do novo Chile e, nesta fase inicial, parece que a reescritura das regras não será sem obstáculos.
Lenços verdes, "liberdade aos prisioneiros dos protestos" nas camisetas, cabelos vermelhos e azuis, gorros de lã, flores, diversas bandeiras e roupas tradicionais indígenas encheram o espaço. Símbolos e formas que fizeram parte dos protestos sociais no Chile voltaram a se encontrar, desta vez no antigo Congresso Nacional de Santiago, lugar exclusivo – até hoje – de solenidade e uniformidade. Assim, em 4 de julho, começou a primeira Convenção Constitucional paritária do mundo, que foi coroada com a eleição de uma presidente mulher e Mapuche: Elisa Loncón.
“Desta vez estamos instalando aqui uma forma de ser plural, uma forma de ser democrático, uma forma de ser participativo. Por isso, esta convenção que devo presidir transformará o Chile em um Chile plurinacional, em um Chile intercultural, em um Chile que não viola os direitos da mulher, os direitos das cuidadoras, em um Chile que cuida da mãe Terra, em um Chile que também limpa as águas contra toda dominação, pu lamnien (...) É possível refundar este Chile”. Com estas palavras, iniciou-se a convenção presidida por Elisa Loncón, que desde a infância foi classificada como "índia" e que, desafiando todos os preconceitos e precariedades econômicas, obteve um doutorado em Letras e se firmou como acadêmica universitária dedicada ao resgate e divulgação de Mapudungún e outros línguas dos povos originários.