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Constituintes chilenas: uma maratona de esforços

A paridade de gênero trouxe não apenas participação política das mulheres, mas também uma nova perspectiva política

Mulheres comemorando na rua
Um grupo de mulheres comemora a aprovação da reescritura da constituição do Chile em Santiago, 25 de outubro de 2020
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Manuela Royo corre. É difícil encontrar espaço para entrevistar a advogada de 38 anos, eleita para reescrever a Constituição chilena: depois de cinco tentativas, nos encontramos uma segunda-feira às 19h. A essa altura, ela imaginou que as audiências públicas teriam terminado. Mas não. Eram quase 20h30 quando ela deixou a sede da Convenção Constitucional, carregada de livros e relatos de organizações de mulheres, gênero-diversas e trans ecoando em sua cabeça.

Ela coordena uma comissão que leva um nome tão grande quanto seus desafios: Comissão de Direitos Humanos, Verdade Histórica e Bases para a Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição. Parte desse desafio é curar uma história republicana construída sobre massacres e ocupações de terras de povos indígenas, as feridas da ditadura e as vítimas após a eclosão social de 2019.

Desde sua instalação em 4 de julho até 28 de agosto, a Convenção Constitucional recebeu em audiência cerca de mil pessoas e organizações que vieram apresentar suas histórias, seus problemas e suas propostas. Esse foi o primeiro compromisso dos constituintes: iniciar o debate não com as suas ideias ou com as de suas organizações, mas com as da maioria popular, das pessoas que estão nas ruas desde 18 de outubro de 2019, que foram às urnas em números históricos para tornar este processo possível e que acompanham de perto esta convenção que prometeu refundar o Chile.