Refugiados, imigrantes e pessoas em movimento há muito são associadas com transmissão de doenças e enfermidades. De pandemias a genocídios, pessoas que cruzam fronteiras, seja de maneira forçada ou por escolha, são referidas em termos apocalípticos como "enchente" ou "onda", sublinhado pela xenofobia, racismo e medo elementar do "Outro". Essas formulações não só são flagrantemente incorretas, como legitimam a incursão estatal de longo alcance e políticas de vigilância e tecno-solucionismo cada vez mais rígidas para gerenciar a migração.
Estas práticas tornam-se ainda mais evidentes na atual luta global contra a pandemia da Covid-19.
Em questão de dias, já vimos a Big Tech apresentar uma variedade de 'soluções' para combater o coronavírus que varre o globo, incluindo ferramentas de vigilância e maior monitoramento. Juntamente com poderes extraordinários do Estado em tempos de exceção, a incursão de soluções do setor privado deixa em aberto a possibilidade de graves abusos de direitos humanos e incursões de grande alcance nas liberdades civis. Embora os poderes emergenciais possam ser legítimos se fundamentados na ciência e na necessidade de proteger a saúde e a segurança, a história mostra que os Estados cometem abusos em tempos de exceção. Novas tecnologias podem muitas vezes facilitar esses abusos, particularmente contra comunidades marginalizadas.