No último ano, o mundo testemunhou uma sucessão alarmante de desastres ambientais. Milhões de hectares de florestas foram queimadas na Amazônia e na Austrália. Enchentes submergiram cidades inteiras como Veneza e seu patrimônio histórico e cultural. Um número cada vez maior de cetáceos, tartarugas e aves estão morrendo de forma agonizante devido à ingestão de plástico. E mais recentemente, a pandemia global da Covid-19 nos lembra que mexer com nosso planeta pode ter consequências mortais.
Os últimos 60 anos têm sido caracterizados pelo aparecimento cada vez mais frequente de novas "zoonoses", que são doenças infecciosas transmitidas dos animais para os seres humanos – como é mais provável que tenha sido o caso do coronavírus. A maioria destas zoonoses (mais de 150) foram transmitidas por animais selvagens, incluindo o Ebola (1976 na África ocidental), o HIV (identificado em 1981 nos EUA), SARS (2003 na China), e mais recentemente a Covid-19.
Isto pode ser, em parte, devido às mudanças climáticas, que alteram os padrões de temperatura e pluviosidade de forma a favorecer os portadores de doenças, como os mosquitos. Geleiras derretidas também podem liberar vírus que estão enterrados há milhares de anos. Mas o aumento de novas zoonoses é causado principalmente pelas formas em que estamos empurrando e extraindo recursos dos poucos ecossistemas virgens que restam no planeta.