“Belo Monte é morte!”. Daniela Silva repete ao colocar uma pequena placa com essas palavras no local em que a gigantesca hidrelétrica, construída no rio Xingu, designou para o público admirar e fotografar a monumentalidade da infraestrutura.
Perto do lugar, localizado a cerca de 40 km da cidade de Altamira, grandes letras brancas à beira da estrada fazem um convite: "Fotografe Belo Monte", símbolo claro da arrogância com que a empresa se estabeleceu no médio Xingu. Construída em um dos grandes afluentes do baixo Amazonas, no Pará, a hidrelétrica desorganizou violentamente o ecossistema fluvial e marcou profundamente a vida das populações locais que viviam ao longo do rio.
As consequências da catástrofe socioambiental causada pela construção dessa infraestrutura ainda hoje são difíceis de mensurar. “Belo monstro", é como a batizaram as famílias que foram expulsas de suas casas, suas terras e ilhas pela intervenção que acabou com o habitat de uma vasta área conhecida como “Volta Grande” do Xingu — e com a vida e o futuro das comunidades assentadas em suas margens.