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Daniela Silva, a herdeira de uma luta feminina contra a violação da Amazônia

A oposição de décadas ao projeto de Belo Monte continua nas novas gerações, que denunciam a degradação ambiental e social

Esquerda: Árvores mortas. Direita: Daniela Silva deitada na grama
Esquerda: Árvores mortas após a inundação do rio Xingu devido à barragem de Belo Monte. Direita: Daniela Silva posa no local onde ficava a sua casa, em Altamira, antes de ser reassentada
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Belo Monte é morte!”. Daniela Silva repete ao colocar uma pequena placa com essas palavras no local em que a gigantesca hidrelétrica, construída no rio Xingu, designou para o público admirar e fotografar a monumentalidade da infraestrutura.

Perto do lugar, localizado a cerca de 40 km da cidade de Altamira, grandes letras brancas à beira da estrada fazem um convite: "Fotografe Belo Monte", símbolo claro da arrogância com que a empresa se estabeleceu no médio Xingu. Construída em um dos grandes afluentes do baixo Amazonas, no Pará, a hidrelétrica desorganizou violentamente o ecossistema fluvial e marcou profundamente a vida das populações locais que viviam ao longo do rio.

As consequências da catástrofe socioambiental causada pela construção dessa infraestrutura ainda hoje são difíceis de mensurar. “Belo monstro", é como a batizaram as famílias que foram expulsas de suas casas, suas terras e ilhas pela intervenção que acabou com o habitat de uma vasta área conhecida como “Volta Grande” do Xingu — e com a vida e o futuro das comunidades assentadas em suas margens.