Nicolás Maduro, que atualmente ocupa a presidência da Venezuela através de eleições não reconhecidas como justas por grande parte da comunidade internacional, procura agora controlar a Assembleia Nacional, o último bastião remanescente do pluralismo democrático no país. Depois de fracassar na tentativa de estabelecer um parlamento alternativo que lhe fosse favorável, as novas eleições do dia 6 são apresentadas como uma nova oportunidade para o chavismo assumir o legislativo – e ganhar controle total do poder na Venezuela.
Do lado da oposição, Juan Guaidó denunciou a falta de honestidade no processo eleitoral e apelou para um boicote, assim como Henrique Capriles, outro líder da oposição. Em várias ocasiões, Guaidó e boa parte da oposição proclamaram que as eleições serão fraudulentas, declarações ecoadas pelo governo dos Estados Unidos, pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e até mesmo pela União Europeia, que tornaram pública sua preocupação com as próximas eleições e não as reconhecem como legítimas.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela informou que tudo está certo para os cidadãos votarem e reiterou que a votação terá todos os elementos de biossegurança para não agravar a pandemia. O Observatório Eleitoral Venezuelano (OEV), entretanto, chamou a atenção para o relaxamento das medidas de segurança sanitária diante da crise de Covid-19. A organização advertiu que, durante a campanha, "houve lugares onde eventos e reuniões da campanha foram bastante discretos, com alguns cuidados com a pandemia, mas houve outros, não muitos, de fato (...) onde houve aglomeração e total negligência”.