A renúncia do presidente boliviano Evo Morales encerra uma era incrível na história da Bolívia. Morales, ex-produtor de coca e primeiro presidente indígena do país, chegou ao poder em uma onda de protestos populares e sofisticada mobilização popular. Seu governo reduziu a pobreza e a desigualdade e elevou o padrão de vida de milhões de pessoas.
Se essas realizações tivessem ocorrido em um país baixo a tutela do Banco Mundial e do FMI, em vez de em um país que se opunha implacavelmente à doutrina neoliberal dessas instituições, a Bolívia hoje seria aclamada como um milagre do desenvolvimento.
Ao mesmo tempo, Morales cometeu erros graves; em particular, o foco do poder em torno de sua própria personalidade e sua acomodação com alguns dos interesses de elite da Bolívia. Isso significa que, embora a Bolívia hoje esteja imensamente melhor do que em 2005, antes da primeira vitória de Morales, ela também é altamente instável, dominada por uma crise política que poderia ter sido evitada.