Eu não escolhi o Brasil para viver e eu não pensava em viver fora do meu país. Eu saí por perseguição política. Eu fazia parte de um coletivo de advogados que protestava em relação a mudanças nas leis constitucionais no que diz respeito à organização das eleições no meu país, em 2014. Por causa disso, fui forçada a deixar meu país, hoje eu me encontro aqui, no Brasil.
Meu país é um país com muitas memórias tristes. O tráfico de pessoas escravizadas, colonização e impérios, guerras pela independência, e depois da independência nós tivemos ditadura e mais guerra. Os assassinatos dos congoleses é um genocídio que continua a acontecer até hoje.
Há um genocídio em curso no Congo por mais de 20 anos. Nós temos problemas políticos, um ditador que tenta manter o poder para si. Nós tivemos um presidente que foi assassinado. Ele tinha conseguido derrubar os ditadores, em 1997, 32 anos depois de chegarem no poder, em 1960, mas alguns anos depois eles o assassinaram e tomaram o poder novamente. Eles estabeleceram um período de transição de cinco anos até conseguirem organizar novamente eleições democráticas. O homem que estava no poder durante o período de transição ganhou a eleição e permaneceu como presidente. Ele organizou eleições duas vezes, e a constituição limita um presidente a dois mandatos de cinco anos. Ele governou o país por cinco anos durante a transição, cinco anos após as eleições de 2006 e cinco anos após as eleições de 2011. Esta deveria ter sido sua última eleição. Mas em 2016, quando seu mandato estava terminando, ele começou as manobras políticas. Ele tinha uma maioria parlamentar e queria mudar as leis constitucionais que limitavam os mandatos do presidente.