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Como uma aldeia amazônica escapa do avanço da soja

Não é a primeira vez que indígenas deslocam a aldeia Khikatxi floresta adentro para preservar sua saúde e bem-estar. Será a última?

Como uma aldeia amazônica escapa do avanço da soja
Vista aérea de ocas da nova aldeia Khikatxi, no terrtitório indígena Wawi, no Mato Grosso. Indígenas ergueram construções do zero | Flávia Milhorance/Diálogo Chino
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Todas as noites, homens Kisêdjê carregam cadeiras de plástico até o centro de um enorme pátio circundado pelas dezenas de ocas que compõem a aldeia Khikatxi. O período seco e a pouca luz criam um céu negro profundo e estrelado sobre o território indígena Wawi, a nordeste do Mato Grosso. Eles habitualmente se reúnem para tratar de assuntos da comunidade ou apenas divagar sobre o dia. Sentam-se em roda, sob o breu, que, vez ou outra, é cortado pela chama de um cigarro de palha ou a tela reluzente de um celular.

Naquela noite de fim de outubro, um visitante iniciou a conversa. O cacique Paulo Xavante chegara poucas horas antes de uma viagem de 400 quilômetros de outro território indígena. Sua missão era buscar sementes de pequi, fruta nativa do Cerrado que crescera curiosamente acima da média naquela área de transição do bioma savânico com a Amazônia.

Xavante planejava cultivar o pequi grande em uma agrofloresta, integrando plantas de valor econômico à mata nativa, como forma de gerar renda sem desmatar. Pressionado pela expansão das commodities no Mato Grosso, seu povo queria evitar se associar com fazendeiros para plantar soja, como outros xavantes fazem no território Sangradouro.