Escrevi para Edivan Kaxarari no início de abril, mas passaram-se dias sem que a mensagem chegasse ao destinatário. Fiquei um pouco preocupada. Edivan vive no Território Indígena Kaxarari, na Amazônia brasileira, próximo à fronteira com a Bolívia. Embora seja uma área remota, a conexão de internet funciona. A floresta na área protegida já foi alvo de invasões de madeireiros ilegais. No passado, houve conflitos violentos. Algo teria acontecido?
Felizmente, duas semanas depois, Edivan respondeu com uma empolgada mensagem de áudio. Contou que ficou 23 dias acampado dentro da floresta coletando castanhas-da-amazônia (também conhecida como castanha-do-brasil ou castanha-do-pará), principal fonte de renda das 170 famílias do território indígena entre os estados do Acre e Rondônia, na fronteira com a Bolívia. “Foi bom demais nós lá acampados, havia bastante gente coletando, quebrando e carregando castanhas”, ele disse.
O extrativismo da castanha-da-amazônia garante a subsistência de 60 mil famílias da Amazônia brasileira, que vendem em média 40 mil toneladas por ano da espécie nativa — quase 60% de toda a produção dos países amazônicos —, segundo a rede Diálogos Pró-Castanha. Essa prática permeia várias gerações de comunidades tradicionais e vem se fortalecendo como uma alternativa sustentável ao crescente desmatamento da região, embora enfrente desafios com a descoordenação e a falta de incentivos em sua cadeia de produção.