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É possível melhorar como investigamos a violência de gênero

O uso de métodos participativos e criativos em países de baixa e média renda é central para garantir que a política responda às necessidades das sobreviventes.

É possível melhorar como investigamos a violência de gênero
Uma fotografia de Noemi Hernandez Sanchez, que foi estuprada, estrangulada e abandonada na beira de uma estrada, na porta geladeira da casa onde ela morava em Tizayuca, Estado de Hidalgo, México
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A investigação de violência de gênero pode ser uma tarefa complicada. Os políticos e legisladores muitas vezes preferem números, que supostamente fornecem provas claras da escala do problema. Mas as análises quantitativas podem separar essas informações de seu contexto sociocultural e das experiências vividas de tal violência. Para garantir que a política responda às necessidades das sobreviventes, é crucial que suas experiências sejam levadas em conta.

Mas a análise qualitativa, especialmente quando envolve sobreviventes da violência de gênero, acarreta seus próprios desafios. Ela implica riscos para a segurança física e emocional das participantes, especialmente quando as sobreviventes têm que recontar suas experiências repetidas vezes. Também pode produzir sentimentos de exploração quando os pesquisadores – ou jornalistas – avançam em suas carreiras com histórias que atraem a atenção do público em geral, mas que levam a poucas mudanças na situação das sobreviventes. Ouvir relatos de violência também pode ser um desafio para os pesquisadores e gerar traumatização secundária.

Esses riscos se vêm agravados quando a pesquisa ocorre em países de baixa e média renda, onde as sobreviventes muitas vezes se encontram em situações sócio-econômicas precárias, e ainda mais quando é realizada ou financiada por pesquisadores ou instituições do Norte Global. As relações de poder desiguais que cria e os riscos crescentes de exploração, paternalismo ou mesmo neocolonialismo têm sido amplamente discutidos, inclusive no openDemocracy.